Devon Allman construiu sua carreira dentro do Blues Rock e do Southern Rock.

Em nightvision, porém, ele se distancia dessas bases e explora um art rock de caráter mais ambiental e cinematográfico.

O álbum dialoga com uma estética oitentista, evocando influências como The Police e The Cure, especialmente no uso de sintetizadores e guitarras com efeitos atmosféricos. Também é possível notar ecos de Pink Floyd ao longo das composições.

Segundo o próprio Allman, o disco nasce como uma espécie de exercício voltado à criação de trilhas sonoras, com temas que remetem à ficção científica e a paisagens do Oriente Médio.

O trabalho marca ainda a estreia fonográfica de seu filho, Orion Allman, nos sintetizadores. Além dele, participam músicos recorrentes em sua trajetória, como o baterista John Lum e o baixista Justin Corgan.

Musicalmente, o álbum aposta no minimalismo e na construção de uma tensão hipnótica a partir da contenção. Em vez de solos virtuosos e chamativos, Allman privilegia timbres, texturas e dinâmicas, colocando a atmosfera acima do espetáculo.

Na primeira vez em que ouvi nightvision, estava deitado e acabei cochilando. Na segunda, quase dormi novamente. Isso, no entanto, não me parece um defeito. O disco não busca capturar a atenção de forma imediata, mas sim ocupar o ambiente de maneira sutil e contínua.

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