A Garota que Conquistou o Tempo é um filme de ficção científica de 1983, dirigido e editado por Nobuhiko Obayashi (o mesmo responsável pelo esquisitíssimo clássico House, de 1977). Trata-se da primeira adaptação do romance homônimo lançado em 1967 por Yasutaka Tsutsui. Anos depois, a obra ganharia novas versões: a animação dirigida por Mamoru Hosoda e produzida pelo estúdio Madhouse em 2006, além de um live-action dirigido por Masaaki Taniguchi, lançado em 2010.
A trama acompanha uma estudante do ensino médio que descobre ter a habilidade de viajar no tempo, revivendo repetidamente o mesmo dia em um loop temporal.
O filme foi um grande sucesso de bilheteria no Japão em 1983, em parte graças à protagonista Tomoyo Harada, uma idol muito popular nos anos 1980. Desde então, ela construiu uma carreira consistente tanto no cinema quanto na música, com seu filme mais recente lançado em 2025 e seu último disco em 2022.
Quanto ao filme em si, trata-se de uma das obras de ficção científica mais emocionalmente carregadas que já vi. Ele chega a flertar com a comoção exagerada e beira o sentimentalismo, mas nunca ultrapassa o limite do brega. A entrega emocional da protagonista, uma adolescente em pleno despertar dos primeiros sentimentos amorosos, é intensa, mas equilibrada por seu estado de desorientação diante da situação absurda em que se encontra.
Esse contraste provoca no espectador (ao menos, provocou em mim) um misto de empatia e curiosidade. Queremos tanto torcer pelo desenrolar positivo de suas descobertas afetivas quanto acompanhar a resolução dos dilemas típicos da ficção científica, como o paradoxo da viagem no tempo. O filme prende justamente por articular essas duas zonas de interesse.
É uma obra que tinha tudo para soar piegas, mas não cai nessa armadilha. Como bem pontua Marc Walkov no Far East Film Festival, A Garota que Conquistou o Tempo é uma história excêntrica e agridoce sobre a transitoriedade do amor e sobre a importância da memória como forma de manter o passado vivo.
Em suma: um filme “bonitinho”. Ainda pretendo assistir às outras versões e me interessei em ler o romance original.