O Massahara foi um grupo formado em São Paulo em meados de 2002, fortemente influenciado pelo Hard Rock e pelo Rock Progressivo dos anos 70, além da psicodelia do final dos anos 60.
Entre as referências assumidas pela banda estão nomes como Captain Beyond, Dust, Black Sabbath, Cream, Beck, Bogert & Appice, Armageddon, Grand Funk Railroad e The Jimi Hendrix Experience.
Não sei exatamente como o primeiro disco deles, Massahara, chegou até mim. Só sei que o tenho aqui, fisicamente, comigo. Desde que o conheci, tornou-se um dos álbuns que mais ouvi na vida — e, por pura negligência, nunca havia escrito sobre ele.
Tudo nesse trabalho funciona de maneira extraordinária: os riffs, os solos, a interação entre guitarra e teclado, a solidez da cozinha de baixo e bateria, o timbre dos instrumentos, a performance do vocalista, as mudanças rítmicas e até mesmo as letras. É impressionante como acertaram em absolutamente tudo.
As letras, cantadas em português, poderiam causar estranhamento dentro de um gênero tradicionalmente estrangeiro, mas se encaixam de forma surpreendente. O Massahara, ao mesmo tempo em que presta uma reverência respeitosa ao estilo, afirma-se como uma banda genuinamente brasileira.
É um álbum que nunca me cansa. Posso ouvi-lo repetidas vezes sem perder o encanto.
O grupo nasceu como quarteto, depois se manteve por um tempo como power trio e, felizmente, chegou à conclusão de que o teclado era essencial para o som. Assim, o formato de quarteto foi oficializado.
Infelizmente, a banda lançou apenas esse álbum. Após dois anos de apresentações — e, segundo relatos, devido à dificuldade de encontrar espaços que acolhessem sua proposta retrô e autoral — encerrou suas atividades em dezembro de 2013. Isso me deixa com uma sensação amarga de frustração, quase uma revolta contra a apatia do público brasileiro, sobretudo aquele com recursos, diante de algo de tamanha qualidade.
Espero que esta crítica, ainda que pequena diante do oceano de informações inúteis da internet, sirva como um grão de areia que incentive a banda a voltar a tocar.
Músicas que destaco: Contramão, Lugar ao Sol e Já Nem Ligo Mais.