“Ave Sangria” é um raro exemplo de uma banda de folk rock progressivo do norte do Brasil, especificamente da região de Pernambuco, que lançou um exemplar de folk rock psicodélico progressivo em 1974.

O disco “Ave Sangria” foi o primeiro álbum do grupo, gravado no Rio de Janeiro em 1974. Diz-se que o disco ficou apenas um mês e meio nas lojas antes de ser proibido pela ditadura militar. A banda foi, ao que dizem, alvo da censura por causa da canção “Seu Waldir”, que foi questionada por suas supostas temáticas homossexuais.

Apesar da censura, o álbum teve boas vendas em algumas partes do Brasil, mas isso não foi suficiente para manter o interesse das gravadoras, das quais as bandas eram totalmente dependentes na época, especialmente em regiões remotas.

O álbum apresenta uma mistura única de instrumentação acústica e étnica com percussão, guitarra elétrica (às vezes distorcida) e vocais frequentemente em falsete. A ilustração da capa do álbum sofreu modificações, sendo definida pelos integrantes como um “papagaio drag queen”.

“Ave Sangria” criou uma bela mistura de rock e folk tingida com elementos progressivos europeus e influências locais. Trata-se de um charmoso pedaço de folk-rock hippie psicodélico, com momentos que lembram a discografia inicial de David Bowie, mas com uma abordagem distintamente brasileira.

O uso de teclados e sintetizadores é, em sua maior parte, discreto, mas dá um toque distintamente europeu ao disco. Se tivesse surgido, por exemplo, na Inglaterra ou na Itália na década de 1960, teria sido melhor recebido. No entanto, “Ave Sangria” não parece ter ganhado muita força fora do Brasil até ser redescoberto pela internet e marcar presença nos fóruns de rock progressivo como um legítimo representante do rock progressivo brasileiro.

Recomendado

Ave Sangria e Psicodelia Pernambucana

Podcast Recente

Rolar para cima