Valentine é o nono disco de estúdio da cantora e compositora Courtney Marie Andrews.

O disco mistura folk alternativo, rock experimental, indie e country.

O grande destaque é a maravilhosa voz de Courtney, que alterna entre o etéreo, o teatral, o contido e o poderoso. Ela evoca ao mesmo tempo uma beleza resignada e um desespero confessional, funcionando como uma primeira moldura para as letras intimistas e melancólicas. As palavras estão no centro, mas a voz transforma a maneira como elas são percebidas, dando peso, textura e dramaticidade a cada uma delas.

Ao redor dessa voz, os arranjos criam uma segunda moldura. Temos flautas, baixo, violões de seis cordas, violões de cordas agudas, guitarra elétrica em drone, percussão, vários tipos de piano, órgão, mellotrons, glockenspiel e até tambores militares, congas e garrafas de água. Apesar da variedade, nada parece existir para disputar atenção com Courtney. Pelo contrário, todos esses elementos trabalham em torno dela, ampliando o espaço emocional criado pelos vocais e pelas letras.

É uma espécie de moldura sobre moldura: as letras são emolduradas pela voz, e a voz é emoldurada pelos arranjos. E tudo isso constrói uma imagem maior, em que cada camada reforça a anterior sem escondê-la.

O resultado é belíssimo. Courtney se impõe nas músicas como as pinceladas de um artista que sabe exatamente o que quer expressar: traços nítidos, sensíveis e precisos, cercados por uma moldura que não chama atenção para si, mas faz a pintura inteira existir.

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