GOZO (五臓, GOZO) é um EP de cinco faixas lançado pelo NEMOPHILA em janeiro de 2026.
O título faz referência aos cinco órgãos vitais da medicina oriental e, para mim, já indica a intenção do disco: atingir o ouvinte de forma sensorial.
Musicalmente, o EP segue a identidade híbrida que a banda já consolidou. Há uma combinação de heavy metal tradicional, thrash metal, nu metal, metal progressivo e elementos de pop, algo que já faz parte da linguagem do NEMOPHILA.
As experimentações e fusões ficam mais evidentes em “VS EGO”, que considero a melhor faixa do disco. As quebras de ritmo e as mudanças de dinâmica funcionam bem e ajudam a sintetizar a ambição estética, por vezes fragmentada, da banda.
Tecnicamente, a banda é muito competente, não há como negar. O ponto que mais me divide é o vocal de Mayu. Não que seja ruim, longe disso. Reconheço seu domínio e estilo, mas os screams me soam excessivamente áridos, lembrando uma Hello Kitty raivosa, sem ofensas.
Talvez fosse mais interessante algo próximo da excentricidade de Natsuki, do akaikurage, que trabalha melhor o estranhamento e o contraste. A Mayu ainda caminha dentro de modelos mais clássicos do rock pesado.
No conjunto, GOZO é um EP consistente, com bons riffs, bons solos e ideias bem articuladas. O trabalho reforça a versatilidade do NEMOPHILA e deixa clara a capacidade da banda de tensionar seus próprios limites dentro do metal contemporâneo.