Freshness é o vigésimo sétimo álbum de estúdio do Casiopea, lançado em 19 de maio de 1995.

À primeira vista, trata-se de um disco que segue fielmente a fórmula que consagrou a banda ao longo de sua trajetória: arranjos limpos, melodias luminosas e uma atmosfera permanentemente otimista. Como em muitos trabalhos do grupo, a técnica instrumental impressiona sem jamais se transformar em exibicionismo puro. Há um esforço constante para equilibrar complexidade e acessibilidade, virtuosismo e leveza.

Essa característica, no entanto, sempre dividiu opiniões. Entre os puristas do jazz, não são raras as críticas ao som excessivamente polido do Casiopea. Muitos apontam a ausência de improvisações mais cruas, de acidentes musicais ou de momentos de descontrole que costumam conferir ao jazz uma sensação de risco e espontaneidade.

Em consequência, parte da discografia da banda acaba sendo associada a uma espécie de technical smooth jazz, termo que frequentemente carrega uma conotação depreciativa entre determinados ouvintes.

Em certa medida, concordo com essa leitura. Durante minha primeira audição de Freshness, o álbum me pareceu agradável, mas não particularmente inovador ou memorável. Tudo funcionava com eficiência, mas nada parecia saltar imediatamente aos ouvidos como uma grande revelação.

Ainda assim, a discussão sobre o caráter mais ou menos “suave” de sua música talvez seja menos importante do que parece. Avaliar o Casiopea a partir da expectativa de que ele soe como um grupo de bebop ou hard bop é ignorar a natureza de sua proposta artística. Diferentes vertentes do jazz produzem diferentes experiências estéticas. Há espaço para a tensão, a imprevisibilidade e a aspereza dos estilos mais tradicionais, assim como há espaço para a precisão quase arquitetônica que caracteriza trabalhos como Freshness.

Cada nota parece ocupar exatamente o lugar que deveria ocupar, como as engrenagens de um mecanismo perfeitamente ajustado. O resultado pode soar excessivamente controlado para alguns ouvintes, mas é justamente dessa disciplina que emerge grande parte de seu encanto.

A música do Casiopea é calculada, meticulosa e cuidadosamente construída, mas não por isso menos expressiva.

Convenhamos, fazer o complexo soar simples talvez seja uma das tarefas mais difíceis da música. Executar passagens intrincadas, harmonias sofisticadas e arranjos densos sem transmitir esforço aparente exige um domínio técnico extraordinário. Em Freshness, o Casiopea demonstra mais uma vez sua capacidade de transformar virtuosismo em fluidez, produzindo um álbum que talvez não impressione imediatamente, mas que recompensa aqueles dispostos a escutá-lo com mais atenção.

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