Lançado em 2000, três anos após o capítulo anterior da franquia, Scream 3 chega com a promessa de encerrar uma trilogia. Pelo menos em teoria. Na prática, o filme transmite a impressão de existir mais por obrigação comercial do que por uma verdadeira necessidade criativa. O resultado é uma continuação genérica e pouco memorável, que acrescenta muito pouco ao universo da série.
Comparado ao primeiro Scream, cuja violência possuía uma dimensão quase visceral, Scream 3 soa domesticado. Também faltam aqui momentos de tensão realmente inventivos ou memoráveis. Basta lembrar de sequências marcantes dos filmes anteriores, como a extraordinária cena do carro em Scream 2 ou a já clássica sequência de abertura no cinema. Em Scream 3, nada atinge esse nível de construção dramática. Mesmo um diretor do calibre de Wes Craven não acerta o tempo todo.
A metalinguagem, marca registrada da franquia, ainda tenta encontrar espaço. Contudo, ela surge enfraquecida. Não há a engenhosidade estrutural do primeiro filme nem a reflexão cultural mais ampla do segundo. A trama desloca a ação para os bastidores da produção de Stab 3 (Facada 3), o filme fictício que dramatiza os assassinatos de Woodsboro (já vimos essa ideia ser explorada no segundo filme).
A novidade aqui é que o Ghostface passa a eliminar os atores do elenco na mesma ordem em que seus personagens morrem no roteiro.
O que mais me frustrou nesse filme é ver o roteiro recorrer com frequência a soluções fáceis. O exemplo mais notório é o modulador de voz utilizado pelo assassino. Nos filmes anteriores (e posteriores), o Ghostface usa um dispositivo que apenas altera o timbre da voz para um padrão ameaçador. Aqui, porém, o aparelho funciona quase como um sintetizador perfeito em tempo real, capaz de imitar qualquer pessoa com absoluta precisão. Não importa se o assassino teve acesso prévio à voz do personagem ou se possui amostras gravadas: o dispositivo simplesmente reproduz qualquer voz instantaneamente.
Esse recurso enfraquece uma das regras implícitas do mistério clássico: a ideia de que o espectador deve ter, ao menos em teoria, as mesmas pistas que os personagens. Ao permitir que o vilão se passe por qualquer pessoa sem limitação tecnológica plausível para o ano 2000, o filme rompe esse pacto de jogo justo. O assassino pode estar em qualquer lugar, ser qualquer pessoa, e a narrativa nunca precisa justificar isso.
Por que não inventaram também uma máquina de teleporte?
Pode parecer um detalhe pequeno, mas são justamente esses dispositivos cartunescos que acabam corroendo a suspensão de descrença. Em certos momentos, a experiência se aproxima menos de um thriller de horror e mais de um episódio em live-action de Scooby-Doo, Where Are You!.
Em suma, esse não é o único problema de roteiro e soluções frágeis. A resolução final também foi, para mim, insatisfatória e forçada. Não vou dar muitas informações para evitar spoilers.
No fim das contas, Scream 3 permanece como o capítulo mais frágil da trilogia original. Não é um desastre absoluto, mas também está longe da inteligência e da energia que tornaram Scream um marco do horror contemporâneo. Na melhor das hipóteses, trata-se de um filme mediano.
