A primeira temporada de The Wire é mais focada no microcosmo da organizações do tráfico em Baltimore. A segunda temporada tem um olhar mais expansivo sobre a estrutura que permite e suporta materialmente o tráfico de drogas em Baltimore.

A terceira temporada de The Wire retorna ao microcosmo do tráfico nas ruas, sendo o tecido conjuntivo da primeira temporada.

Ele retrata o crepúsculo da gangue de Barksdale e a ascensão da organização Stanfield para tomar seu lugar. Tudo isso em meio a uma corrida eleitoral para prefeito e também no meio de um experimento social de “legalização das drogas” em uma “zona livre” dentro de um distrito isolado de Baltimore.

Esse experimento foi feito por iniciativa de um ousado major que se cansou de lutar a guerra contra as drogas com as estratégias tradicionais. A ideia seria deslocar o mercado de drogas para uma zona livre, longe da população civil – para que possa correr livremente, no entanto, sob custódia policial. Traficantes e drogados se reuniriam em um único lugar, limpando o espaço urbano nas outras áreas.

Não pense que a posição da série é tão clara nesse sentido. Como sempre, não dá para afirmar nada.

A terceira temporada mostra que as políticas públicas de combate as drogas estão sujeitas a uma infinidade de agentes complexos que se relacionam entre si diretamente e indiretamente.

Os agentes são: violência, política, economia, retórica, ideologias pessoais, publicidade, oratória, imprensa, manipulação estatística, percepção pública e, não menos importante, estética.

A estética das “zonas livres” (que seria uma espécie de cracolândia), mesmo que isoladas, ainda violentam a percepção geral do espaço urbano. Mostra que não há como escapar da contradição implícita na idéia de gerenciamento e custódia de algo que é invariavelmente descontrolado, anárquico e imprevisível. As “zonas livres” ainda trazem consigo as saliências de uma discussão filosófica sobre o que é realmente liberdade.

Não menos importante, The Wire coloca um confronto entre estatística e realidade.

A política de “redução de danos” e “legalização” podem dar bons indicadores por uma mistura de realidade e estrangulamento estatístico – e não sabemos exatamente o peso de cada coisa para nos posicionarmos. No final, terminamos a série divididos em considerar isso uma “inteligência estratégica” ou a velha política de “jogar a sujeira para debaixo do tapete”.

Enfim, a melhor temporada até agora.

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