A segunda temporada de The Wire foi para o ar em junho de 2003.

Aqui, os membros da divisão policial de Barksdale são marginalizados em vários departamentos.

O enredo se preocupa principalmente em nos atualizar sobre a vida de personagens previamente estabelecidos, ao mesmo tempo em que introduz novos rostos e locais.

Para quem acompanhava a primeira temporada, talvez tenha estranhado muito a localização de onde acontece a segunda temporada.

Em vez das ruas e vielas dos conjuntos habitacionais, predominantemente negro, a série acontece no porto da cidade, com imigrantes predominantemente brancos de um sindicato de estivadores de Baltimore.

Este sindicato é liderado por Frank Sobotka (brilhantemente interpretado por Chris Bauer), um personagem ambíguo, que luta pela sobrevivência da sua categoria (que já se encontra defasada diante da mecanização das suas atividades) ao mesm tempo que acaba se envolvendo numa operação internacional de crime organizado liderado por uma figura conhecida apenas como “The Greek”.

Não que haja uma completa ruptura com a primeira temporada. Muito pelo contrário. A série amplia o conflito que ainda ocorre no território da periferia negra de Baltimore, apresentando melhor os pontos de conexão entre o tráfico de drogas local (ou seja, o varejo) e o crime organizado internacional que é, inclusive, facilitado pela corrupção política nos mais altos cargos da elite do governo americano.

A força policial é mais uma vez mostrada como uma força engessada e constrangida, tanto por uma estrutura burocrática ineficiente quanto pela sua completa falta de autonomia frente a uma hierarquia que se aproveita dela para resolver assuntos pessoais irrelevantes.

O que me cativou na primeira temporada The Wire ainda se mantém nesta segunda temporada. Uma descrição do mundo do crime que está muito mais engajada em mostrar a estrutura da realidade tal como ela é do que criar histórias vazias de mocinhos e bandidos.

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