É difícil falar do meu filme favorito de todos os tempos.

Sim, Taxi Driver é o meu filme favorito de todos os tempos. Todos têm o direito de ter um filme preferido. Muita gente não se compromete com isso. Acho covardia. Eu tenho o meu. É esse. Taxi Driver. PONTO.

O filme, pra mim, é o que melhor conjuga a meticulosidade e a perícia de Scorsese.

Logo nos primeiros momentos, temos o plano detalhe dos olhos de Travis Bickle, seguindo da direita para a esquerda, enquanto seu rosto cai nas sombras.

Toda cena introdutória do filme vai se desenvolvendo em luzes coloridas, borradas de vermelho, azul e branco – em frente à vidraça de seu carro.

A maneira como a paisagem urbana noturna é introduzida em Taxi Driver é sublime.

O mundo visto à noite, em geral, perde seus contornos – e é isso que está sendo simbolizado no olhar de Travis Bickle em todo filme: perspectiva como miragem.

O mundo que Travis vê não é um mundo mimético, mas uma representação refratada por seu olhar subjetivo.

Vemos os pedestres (a “escória”), indistintos, nessas composições justapostas às luzes atrás da vidraça, distorcidas pela chuva e, novamente, distorcidas aos olhos de Travis.

Todo olhar subjetivo torna-se um olhar distorcido.

Para Travis, em seu taxi, isso é triplamente distorcido.

Soma-se isso ao seu constante estado catatônico e sonambular.

Taxi Driver, como o próprio Scorcese já mencionou, é uma espécie de “dream-state”.

Esse é, pra mim, o “tema” do filme. O sonho.

Muito além do caráter niilista combativo do personagem principal ou sua tênue linha psicopática-justiceira.

O carro, em si, é um espetáculo a parte.

Olhando de fora, Scorsese faz com que o Taxi deslize suavemente durante a noite, no meio da fumaça, quase fantasmagórico – tornando a vida cotidiana estranha em luxação mística.

Olhando o Taxi por dentro, ele se transforma no seu “cinema particular” – seu palco de voyeurismo.

Enfim, quanto mais eu revejo este filme, mais ele cresce. Vou rever esse filme mais umas quinhentas vezes no futuro e, APOSTO, que ele estará melhor.

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