“Santuário do Sumô” é uma série de drama esportivo criada por Kan Eguchi. A série estreou na Netflix em maio de 2023 e é composta por oito episódios.

A série conta a vida de Enno, um lutador de sumô novato. Ele também é um delinquente cheio de dívidas que vive em meio à violência e com uma família desestruturada, enquanto tenta seguir carreira no mundo do sumô profissional.

Ele é orientado pelo mestre do “estábulo Enshō” (sim, os locais de treino de sumô são chamados de estábulos) e mostra ter muito talento e força. No entanto, à medida que sobe na classificação, parece estar interessado apenas no dinheiro, sem demonstrar um genuíno interesse pelo sumô e suas tradições.

Sua postura rebelde o torna alvo de críticas dos executivos, que tentam constrangê-lo, machucá-lo e eliminá-lo da arte.

No entanto, ao longo dos episódios, apesar das perseguições e adversidades, ele mantém firme seu propósito, provando que está lutando pelo dinheiro para salvar sua família, especialmente seu pai, da pobreza, mas também por uma devoção à arte.

Aos poucos, ele vai se tornando mais reverente à arte do sumô e conquista o respeito de seu estábulo.

A série é boa, mas se estende demais. Os episódios são muito longos, com uma média de 1 hora, quando seria possível resumir a maioria deles em no máximo 40 minutos. Há uma certa repetição desnecessária de montagens de treinos e algumas histórias que poderiam ser cortadas, como o breve romance do personagem principal com uma garota que ele conheceu em uma festa.

Outro problema da série é que ela termina abruptamente, sem uma conclusão adequada.

Normalmente, não me incomodo com finais abertos e até acho que podem enriquecer a história, mas, neste caso, parece mais um cancelamento repentino do que uma escolha narrativa intencional. Ficou muito estranho.

A direção é regular e faz uso excessivo de flashbacks (algo que também poderia ser reduzido), e a trilha sonora é bastante manipuladora.

As cenas de luta são interessantes, mas, mais uma vez, repetem-se muito ao longo da série, sem muitas novidades.

No entanto, em muitas dessas lutas, são utilizados recursos cinematográficos de forma eficiente, como o uso do plano detalhe para enfatizar que o sumô não se resume apenas à força bruta, mas é principalmente um jogo estratégico de inteligência. Também há bastante uso de câmera lenta para enfatizar momentos decisivos.

Outro aspecto que chamou bastante atenção foi a violência, tanto física quanto verbal, entre os lutadores. É possível sentir que estamos realmente no meio de guerreiros – menciono isso porque muitas vezes, pelas imagens de gordões se abraçando de forma exuberante, o sumô pode nos parecer cômico.

No entanto, quando vemos todo o zelo cerimonial (que possui uma rigidez religiosa), a concentração e a preparação desses lutadores, juntamente com sua agressividade bruta, pensaríamos duas ou três vezes antes de dar um sorriso de deboche.

Enfim, apesar dos erros narrativos e do alongamento desnecessário, esta série é boa.

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