“Oceans” é o segundo álbum de estúdio da banda de rock anglo-japonesa Esprit D’Air. O disco foi lançado em 2022 pela própria Starstorm Records, que é a gravadora independente da banda, em parceria com a distribuição da AWAL e da Plastic Head Distribution.

É interessante notar que tudo que envolve a banda gira em torno da ideia de autonomia.

O trabalho no álbum começou em 2018, mas foi interrompido devido ao roubo do laptop e dos backups do produtor, cantor, multi-instrumentista e principal compositor Kai em 2019, o que atrasou o lançamento de novos singles e do álbum.

Esprit D’Air apenas concluiu o álbum no final de 2021, após uma campanha de financiamento coletivo bem-sucedida.

Kai é responsável por todos os aspectos da banda, sendo o seu idealizador.

Embora o som da banda não seja semelhante, Kai frequentemente afirmou que sua principal influência é o Iron Maiden, e acredito que isso se deva ao ideal de possessão criativa de Steve Harris, um dos seus maiores ídolos. Steve Harris é para Kai alguém que centralizou sua própria carreira e, assim como o Iron Maiden é indistinguível de Steve Harris, o Esprit D’Air é indistinguível de Kai.

Isso reflete de várias maneiras na música e na estética, que sugere uma grande influência da ficção científica, especialmente a estética cyberpunk, Gen X Soft Club, pós-moderna, industrial e BDSM de Matrix, embora o som seja fortemente influenciado pelos anos 80.

Kai é ambíguo em relação à sua nacionalidade, britânica ou japonesa (inclusive, em uma mesma faixa, você pode ouvir Kai cantando em japonês ou em inglês), assim como em relação ao seu próprio gênero.

“Oceans” também é um álbum de gênero muito fluido, explorando diversas vertentes do rock, metal e música eletrônica. Uma mistura sensacional de AOR, Djent, Power Metal, Eletrocore e Gothic Rock.

Tudo foi produzido e composto inteiramente por Kai, com algumas colaborações especiais, como Ryo Kinoshita da banda de metalcore japonesa Crystal Lake na faixa “The Abyss” e Ben Christo do The Sisters of Mercy na belíssima e fantasmagórica faixa “spacy-goth” “Dead Zone”.

O disco recebeu grande destaque da crítica, sendo amplamente elogiado pela imprensa especializada e pela cena musical. Além de Ben Christo (The Sisters of Mercy), que viu em Kai um dos talentos mais promissores do heavy metal, o álbum também recebeu muitos elogios de Richard Shaw, guitarrista do Cradle of Filth.

Posteriormente, o ex-vocalista do Judas Priest, Tim “Ripper” Owens, juntou-se a Kai e Ben Christo para um espetacular cover de “The Trooper” do Iron Maiden.

O álbum é atmosférico, com teclados e pianos desempenhando um papel melódico crucial em todo o trabalho. Os vocais de Kai são poderosos, e os riffs pesados criam uma textura ríspida interessante.

Algumas das músicas mais marcantes incluem “Tsunami”, “Leviathan” (a mais conhecida do disco, com um clipe muito bem feito), “Dead Zone”, “Calling You” e “Serafine”. No entanto, obviamente, há outras faixas que merecem atenção e que se destacam nas audições subsequentes.

As letras são introspectivas e revelam os demônios de Kai, que luta contra a depressão, mas busca, na medida do possível, manter uma perspectiva otimista em relação à humanidade e ao futuro. Kai não transforma sua tristeza em niilismo barato e tenta manter sua sanidade e equilíbrio. Sua posessão criativa do Espirit D’Air é uma tentativa de possuir sua própria vida. Que Deus o ajude.

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