O Estigma de Satanás (The Blood on Satan’s Claw, no original) é um filme de terror britânico de 1971 dirigido por Piers Haggard.

Assim como Witchfinder General (1968) e The Wicker Man (1973), este filme ajudou a formatar a estética pastoral e narrativa pagã do horror folclórico (folk-horror), sendo considerado um dos filmes mais notáveis dentro desse subgênero.

Situado na Inglaterra do início do século XVIII, o filme conta a história de uma vila rural cuja juventude cai sob a influência de uma presença demoníaca depois que um fazendeiro local desenterrou um misterioso crânio deformado enquanto trabalhava no campo.

O filme foi originalmente concebido pelo roteirista Robert Wynne-Simmons como uma antologia de três histórias vagamente conectadas.

As histórias díspares incluíam uma envolvendo uma mulher trancada em um sótão por sua tia abusiva; um grupo de crianças que descobrem uma carcaça monstruosa em um campo; e um homem que decepa a própria mão, que está possuída por um demônio.

Depois que o diretor Piers Haggard foi contratado para realizar o projeto, ele e Wynne-Simmons reformularam o roteiro na tentativa de formar uma narrativa única e coesa.

Cada uma das histórias foi conectada por uma narrativa abrangente de uma aldeia pastoral vitoriana sendo infiltrada por uma força maligna.

Talvez esse seja o grande problema do filme. Essa tentativa de pegar várias histórias e condensá-las em uma única narrativa acabou transformando o filme em uma espécie de colcha de retalhos. Isso não significa que o resultado final foi um completo desastre, mas talvez fosse mais inteligente fazer o que Masaki Kobayashi fez em Kwaidan: As Quatro Faces do Medo, separando o filme em histórias independentes.

A força do filme está muito mais concentrada em seu visual. Podemos dizer que, dentre todos os filmes de horror folclórico, este foi um dos que melhor trabalhou a estética do campo como a moldura edênica do terror.

Este filme também ficou marcado por uma das cenas de rituais mais brutais já filmadas, com direito a sacrifício humano e um estupro assistido.

Além disso, é interessante notar que esse filme foge da contraposição clássica entre cristianismo e paganismo. Aqui, os polos conflitantes são a ética racionalista iluminista de um lado e o mundo das superstições pagãs do outro.

Mesmo não sendo um filme perfeito, vale pela elaboração estética.

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