Trata-se de uma minissérie de terror divida em 7 capitulos que conta a história de uma pequena vila católica de pescadores envolvida numa penumbra de mistérios tenebrosos desde a chegada de um jovem e enloquente padre.

Vou adiantar, a minissérie é sobre vampiro e segue, com pontuais (e muito interessantes) modificações, o molde clássico do roteiro de Drácula de Bram Stoker.

A primeira coisa que me chamou atenção nessa minissérie é a visivel atenção com alguns detalhes da liturgia católica – em especial, a citação correta de alguns postulados doutrinários. Coisa que não se vê muito por ai. Isso significa que, por incrível que pareça, mesmo nesse contexto diabólico, todos os padres e fieis soam convincentes.

A única personagem pobre na série é Bev Keane (Samantha Sloyan), que infelizmente cai naquele esteriótipo grosseiro que associa católico zeloso com religioso neurótico.

A pontuação que a história faz da liturgia católica e em especial do sacramento eucarístico é apenas um pretexto ladino para criatura dominar o seu espaço dentro de uma comunidade fervorosa.

“Tomai todos e bebei, isto é o meu sangue”, “tomai todos e comei, isto é o meu corpo”.

Todas estas frases sagradas são facilmente colocadas num contexto de bestialidade vampírica.

Outra coisa que me chamou a atenção é que a série possui uma certa ambiçaõ filosófica. Ela é pontuada por constantes diálogos verborrágicos reflexivos e está sempre fazendo meditações sobre dor, fé, vida, morte, vida após a morte, crença, descrença e religião.

Embora eu não concorde e até ache bobo alguns devaneios, não tem como negar que Missa da Meia Noite se empenha (na medida do possível e dentro da capacidade dos seus realizadores) de tratar desses assuntos com reverência (ao menos eu senti isso).

No entanto, reforçando, é uma minisérie sobre vampiros – não a porra de um tratado de teologia ou filosofia. Vendo por esse lado, Missa da Meia Noite é um produto refinado – muito acima da média.

Também me agradou muito a condução paciente de todos os episódios – onde a atmosfera era vagarosamente construída em uma tensão que raras vezes apelava para o susto ou para um grafismo explícito.

A criatura (que aqui é pervertidamente chamada de “anjo”) se move na penumbra e no silêncio. Quando se apresentava, era terrivelmente majestosa.

Coisa linda.

Onde assistir: Netflix

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