Immutable” é o nono álbum de estúdio do Meshuggah.

O título do álbum e seu conceito, conforme descrito pelo guitarrista da banda, Mårten Hagström, reforçam um aspecto pessimista sobre a imutabilidade do ser humano. Este sempre repete os mesmos erros, reafirmando a marca indelével da natureza humana, especialmente em relação à concupiscência e maldade, fechando-se nessa realidade sem qualquer compreensão redentora. Dessa forma, o disco se alinha à orientação niilista característica da banda.

Dentro da discografia do Meshuggah, a temática niilista, juntamente com os sons dissonantes e atmosféricos, não são novidade. Constituem a identidade única da banda, assim como os riffs fragmentados com efeito percussivo, os ambientes assombrados dos sintetizadores atmosféricos e a bateria polirrítmica.

O fragmentalismo dissonante e irregular do djent cria uma identificação única com as letras, fortalecendo a identidade da banda. O álbum está repleto de temas que evocam uma espécie de gnose sci-fi, abordando demiurgos tecnológicos ancestrais, como nas faixas “Light the Shortening Fuse“, “Ligature Marks“, “Phantoms“, “Kaleidoscope“, “Black Cathedral” e a blasfema “God He Sees In Mirrors“.

A banda construiu uma mitologia própria, por vezes exagerada e tangenciando o brega, mas interessante e envolvente quando imerso no clima adequado.

Em “The Abysmal Eye“, cujo videoclipe é dirigido por Scott Hansen, somos transportados para um ambiente desértico. Centenas de pessoas parecem correr em direção a um grande abismo, enquanto sacerdotes tentam conjurar, por meio de tecnologia estranha, uma espécie de demônio metálico. A letra sugere uma interpretação metafórica, apresentando essa entidade como uma representação do mal que a humanidade obstinadamente criou, liberando-a da “prisão quântica de Pandora”.

Este clipe possui uma segunda parte, na faixa “I’m the Thirst“, revelando que o demônio metálico é, na verdade, uma fonte de energia que gera outros demônios, dispersando-os pelo globo por meio de luzes. No desfecho, todas as pessoas e o próprio planeta são desintegrados.

O que se destaca neste álbum é a introdução de vocais mais sussurrados e mórbidos, especialmente na faixa de abertura “Broken Cog“. Essa característica se revela como um dos grandes destaques do disco.

Outra faixa notável é “They Move Below“, possivelmente minha favorita do álbum. Uma composição instrumental de nove minutos, com uma introdução hipnótica e o desenvolvimento de diversas ideias, que incluem riffs pesados e melodias sombrias.

Enfim, bom disco.

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