Primeiro, um breve contexto:

Golgo 13 começou como um mangá em 1968, escrito e ilustrado por Takao Saito. Trata-se de uma das mais longevas séries da cultura pop japonesa, até hoje publicado.

O personagem principal, um assassino profissional, é muito comparado com James Bond – uma personificação absoluta da masculinidade, uma ideação materializada do que chamamos de “macho alpha”.

No entanto, Golgo 13 é esvaziado de qualquer senso de heroísmo convencional ou propósito maior aparente. O que diferencia ele do seu irmão britânico é que Golgo 13 se resume a um eficiente prestador de serviço.

Golgo 13 parece ser uma homenagem e ao mesmo uma crítica cínica ao conceito de heroísmo impregnado em James Bond. O que diferenciaria um assassino de aluguel e um espião a serviço da coroa britânica não seria apenas o contratante? Não seria James Bond mais parecido como Golgo 13 do que gostaríamos de acreditar?

A caricatura absurda de eficiência absoluta beira a crueldade. Em uma circustância onde Golgo 13 tenha que escolher entre salvar a mocinha e matar o bandido, a última opção é preferencial para ele.

Essa franqueza e essa honestidade pode ter afastado Golgo 13 de uma abrangencia maior de público, ao mesmo tempo que solidificou o personagem no panteão de figuras cultuadas. Golgo 13 sempre foi popular, mas nunca foi pop.

Em 1973, temos o primeiro live-action baseado na série japonesa, estrelado por Ken Takaura no papel de Golgo 13.

Em 1977 teremos um outro filme estrelado pelo imortal Sonny Chiba e em 1983 teremos uma versão em anime do mesmo produto. Todas as duas versões são mais conhecidas que esta.

No entanto, Golgo 13 de 1973 tem um aspectos e características que o tornam realmente único.

Uma das coisas mais curiosas desse filme é que ele é uma produção nipo-iraniana e foi inteiramente filmado no Irã pré-revolução, durante a dinastia Pahlavi. Quase todo o elenco do filme é formado por pessoas de etnia persa (dubladas em japonês).

Só Ken Takakura é japonês neste filme.

Além de ser o primeiro registro fílmico de um personagem clássico, o filme de 1973 explora uma Teerã que parece não existir mais. A ação percorre ruas formadas por uma pitoresca composição de ruínas, templos sagrados e boates com dançarinas eróticas. Mulheres de burca e minissaias andando na mesma rua. É um cenário de cápsula do tempo onde vemos uma cultura muito mais liberal, muito diferente da que conhecemos hoje.

A sinopse do filme é simples: Golgo 13 (nome verdadeiro: Duque Togo) é contratado por uma organização para matar Max Boa, chefe de um sindicato mundial de crime, responsável por tráfico de drogas, armas e pessoas. Ele é enviado para o Oriente Médio para rastrear seu alvo e eliminá-lo.

Além do cenário curioso e de todas as qualidades do personagem estarem muito bem representadas, Golgo 13 de 1973 é um filme B muito bem feito, com cenas de ação memoráveis e engenhosas.

A trilha sonora é uma fatia clássica da orquestração no estilo Toei, com um toque de Western Spaghetti.

Super recomendado.

Obs: baixei o filme e só consegui vê-lo com legendas em inglês.

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Golgo 13

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