Ghost in the Shell é um mangá japonês escrito e ilustrado por Masamune Shirow, que foi serializado entre 1989 e 1990 e depois compilado em um volume independente em 1991.

O mangá foi seguido por duas sequências: Ghost in the Shell 1.5: Human-Error Processor e Ghost in the Shell 2: Man-Machine Interface.

Os mangás contêm os pensamentos de Shirow sobre design e filosofia, incluindo questões sociológicas, as consequências dos avanços tecnológicos e temas sobre a natureza da consciência e identidade.

Ambientado em meados do século XXI na cidade japonesa fictícia de Niihama, Prefeitura de Niihama (também conhecida como Nova Cidade Portuária), o mangá segue os membros da Seção 9 de Segurança Pública, uma força-tarefa de operações especiais composta por ex-oficiais militares e detetives da polícia, destinada a neutralizar ações terroristas.

A Seção 9, ao longo das histórias, vai se envolvendo em diversas intrigas e percalços diplomáticos e lidando com casos de corrupção tanto no setor público quanto no privado, evidenciando de uma maneira muito cáustica e cínica a instrumentalização política de suas ações.

Neste cenário de cinismo utilitário, somos imersos em um universo onde a robótica e a tecnologia da computação avançaram a ponto de possuírem nosso próprio corpo.

O transhumanismo neste universo pode variar de simples próteses até a substituição completa do corpo e do cérebro por partes cibernéticas. A Major Motoko Kusanagi, protagonista desta história, é um desses ciborgues, tendo sofrido um terrível acidente quando criança que, em última análise, exigiu que ela usasse uma prótese de corpo inteiro para abrigar seu cibercérebro.

Esse alto nível de cibernética, apesar de trazer inúmeros benefícios em relação às limitações biológicas, coloca o corpo e a mente de Kusanagi em risco de ataques avançados de hackers extremamente perigosos.

Entre os mais perigosos, temos uma figura misteriosa chamada “Mestre dos Fantoches”, um criminoso cibernético procurado por cometer um grande número de crimes por meio de “ghost hacking” de humanos com cérebros cibernéticos. Conforme a investigação continua, a Seção 9 descobre que o “Mestre dos Fantoches” é, na verdade, uma inteligência artificial avançada criada por um departamento do governo japonês, que se instalou em um corpo de robô.

Depois de destruir o último hospedeiro do “Mestre dos Fantoches”, a Seção 9 acredita que está tudo bem, até que a Major descobre o “Mestre dos Fantoches” em sua própria mente. Depois de ouvir os desejos da entidade que a possuiu de atingir seu próximo passo na evolução, Kusanagi permite que ele se torne um com ela.

Ao escrever o mangá, Masamune Shirow se esforçou para torná-lo nem muito complexo nem muito simples.

Os pensamentos e trabalhos de Shirow em Ghost in the Shell contêm inúmeras notas de rodapé e explicações detalhadas sobre cenas para dar aos leitores uma compreensão das diferenças sociológicas, dos avanços tecnológicos, discutir questões filosóficas e contar facetas da sua vida pessoal.

Ele também detalha, segundo o seu entendimento, conceitos como o futuro das técnicas de hacking, em que um cérebro cibernético pode ser hackeado para copiar informações sem ser detectado, e explica alguns conceitos de possessão, canalização espiritual e esquizofrenia.

As informações dadas por Shirow nas notas de rodapé, apesar de tornarem a leitura um pouco complexa e truncada, funcionam como uma indicação bibliográfica das suas referências intelectuais e uma direção clara das suas intenções – ou seja, não há espaço para aqueles que defendem a separação entre a obra e o autor, pois Shirow cerca em cada quadro as possibilidades de interpretação.

Para quem assistiu ao filme ou às animações (e a maioria do público ocidental começou por aí), já de cara entendeu a profusão filosófica da obra. No entanto, no mangá, esse refinamento intelectual não é tão evidente. As discussões filosóficas no mangá estão mais concentradas nas notas de rodapé. Apenas algumas dessas reflexões mais complexas transbordam nas histórias, que são, no geral, mais preenchidas com ação e humor (algo que praticamente sumiu das versões animadas).

Isso torna o mangá Ghost in the Shell ao mesmo tempo mais pedagógico e despojado que suas versões animadas. Não melhor, nem pior, apenas diferente.

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