Dersu Uzala é um filme de 1975 dirigido e co-escrito por Akira Kurosawa, baseado no livro de memórias do explorador russo Vladimir Arsenyev durante sua expedição ao extremo oriente russo no século XX.

O filme recebeu importantes prêmios, como o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1976 e o prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no 9º Festival Internacional de Cinema de Moscou. Também foi um sucesso de bilheteria, vendendo mais de 21 milhões de ingressos na União Soviética e na Europa, além de arrecadar US$ 1,2 milhão nos Estados Unidos e no Canadá.

Este é o único filme não-japonês de Akira Kurosawa, sendo filmado quase inteiramente ao ar livre no deserto do extremo oriente russo. A vastidão intocada do deserto russo, tão diferente da paisagem japonesa com suas florestas cultivadas, proporcionou uma tela radicalmente nova para Kurosawa.

Nesse novo cenário, Akira Kurosawa conseguiu trabalhar com maestria singular e evocativa, lembrando tanto o cinema de John Ford pela composição pitoresca das paisagens quanto o cinema de Werner Herzog, pela filmagem dramática de uma natureza hostil.

O filme narra a história de um explorador, líder de uma expedição de levantamento topográfico na Sibéria, do exército russo, que é resgatado por um caçador nanai chamado Dersu Uzala.

Dersu Uzala é um nativo das florestas que está completamente integrado ao seu ambiente, levando um estilo de vida que será inevitavelmente destruído pelo avanço da civilização.

Dersu passa a servir como guia do explorador, estabelecendo uma forte amizade entre eles.

Quando o explorador decide levar Dersu para a cidade, como forma de agradecimento, seus costumes confrontam-se de forma avassaladora com o modo de vida burocrático da cidade, levando-o a questionar diversos padrões da sociedade.

Dersu Uzala é um exemplo de humildade e sabedoria, e o filme retrata de maneira poética e sensível as diferenças culturais entre ele e o pesquisador russo.

Alem de ter um dos personagens mais cativantes, complexos e interessantes do cinema de Kurosawa, o filme personificando todos os temas históricos, antropológicos, psicológicos, morais e afetivos do diretor em relação as culturas ancestrais.

Além de todos os temas citados, o personagem principal do filme traz reflexões sobre a velhice, antecipando temáticamente outro filme maravilhoso do diretor: Madadayo.

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