Filme mais excêntrico da carreira da carreira de Scorsese – sem sombra de dúvidas.

Ele surgiu da parceria do diretor com os roteirista Joseph Minion e Joe Frank e, curiosamente, quase foi dirigido pelo (até então desconhecido) Tim Burton, já que Scorsese queria se concentrar na sua maior ambição do momento, que é o polêmico filme “A Última Tentação de Cristo”.

Como a Paramount estava criando seus entraves na realização deste projeto, Scorsese resolveu assumir a bucha – enquanto resolvia questões contratuais.

O filme é uma “screwball comedy” ou “comédia maluca” – algo que ninguém imaginaria que Scorsese seria capaz de fazer tão bem.

O filme arrecadou pouco, mas recebeu muitas críticas positivas e chegou a render um Cannes para Scorcese em 86. Depois disso, passou a ser lembrado como um dos trabalhos mais subestimados de Scorsese – o que eu concordo.

After Hours é simplesmente BRILHANTE.

Trata-se de uma incontrolável sucessão de situações absurdas e divertidíssimas.

No entanto, além da diversão, o filme parece flertar com uma visão psicanalítica e se assemelha a um pesadelo de erotismo e emasculação, formatadas numa perseguição nonsense (estilo cat-and-mouse game) e uma jornada labiríntica num subúrbio que, de tão estranho, parece ser COMPLETAMENTE povoado por MALUCOS – onde apenas Paul (o protagonista) é o sujeito são.

Assistindo o filme, me veio a mente The Wickerman (de Robin Hardy) e O Alienista (de Machado de Assis).

Obra-prima esquecida. Vale muito a pena ir atrás disso.

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