The Batman (2022) é um primo pobre da trilogia Nolan.
Nolan foi quem desnudou Batman no cinema de sua caricatura quadrinesca e até hoje parece que os diretores tentam repetir esse impacto.

Na trilogia Nolan, todo design e roteiro revela um esforço genuíno em equilibrar funcionalidade e verossímilhança com poder simbólico, oferecendo ao povo um livre acesso a uma imaginação política, filosófica e até literária na subtrama (como bem notou o Guilherme Freire, o terceiro filme, o que o pessoal menos gosta, é uma versão de A Tale of Two Cities de Charles Dickens).

O filme de 2022 é bom. Sua coerência é impressionante e avassaladora — mas também é mortificante.

Os personagens são reduzidos a um punhado de traços e uma história de fundo, definida apenas por sua função na trama.
Mesmo que o Batman tenha duas identidades e viva uma vida dupla construída de ardil cuidadosos e elaborados, senti que o filme faz pouco de Bruce Wayne.

Sua expressão totalmente reprimida poderia sugerir qualquer coisa, desde autodisciplina a angústia existencial, mas só consegui notar um esforço sobre-humano numa simulação de seriedade e uma vontade reprimida de gargalhar com frases de efeito extremamente bregas como “eu sou a Vingança”.

O Charada foi interessante até um certo momento, como um espelho do próprio Batman – mas acabou se tornando uma espécie de mistura entre Coringa e Bane da trilogia Nolan.
Seu plano não se decide entre um terrorismo político, uma vontade pelo caos ou uma vingança pessoal com a família Wayne, o que acaba fazendo todos seus atos uma confusão genérica e incipiente.
Ainda assim, é um filme bom.

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