Talvez, o filme mais conhecido do Studio Ghibli… e um dos melhores.

Se “Sussurros do Coração” já sugeria, aqui e ali, algumas influências de “Alice no Pais das Maravilhas” de Lewis Carrol, em “A Viagem de Chihiro” isso é explícito.

Os paralelos que podemos fazer de ambas as obras é tamanho que fica praticamente impossível não desconfiar que Miyazaki não tenha feito uma clara adaptação.

Sem sombra de dúvidas, “A Viagem de Chihiro” é o mais lewiscarroliano de todas as animações do Studio Ghibli e, por sua vez, o que mais se aproxima de um romance de formação e amadurecimento.

Há muitas influências da cultura japonesa aqui, como os Yokais, os espíritos que aparecem no filme. Mas, “Viagem de Chihiro” passa longe de ser culturalmente periférico – ou seja, está LONGE de ser meramente “um desenho japonês”.

O que faz de “A Viagem de Chihiro” ser tão bom é por ele ter pretensões de universalidade, por estar atrelado aos monomitos arquetípicos do ritos de passagem, conhecidos no mundo todo.

A entrada no túnel sombrio para o mundo maravilhoso (tal como a toca do coelho em Alice), é uma referência clara ao rito de passagem da infância para a fase adulta.

A busca de Chihiro é uma busca pelo retorno – uma nostalgia e um desejo sentimental de regressar à infância, impulsionado pela dor do amadurecimento.

Assim como Alice, Chihiro caminha por aquele mundo desconhecido sem a tutela dos pais (é muito, mas MUITO significativo os gestos de Chihiro segurando o braço da mãe na passagem pelo túnel).

No final do filme, quando Chihiro retorna, não é mais a mesma garotinha – ela segura novamente o braço da mãe, no entanto, caminhando no sentido contrário.

O mundo maravilhoso, no qual Chihiro se insere, é um mundo, também, cheio de regras esquisitas, de decisões e consequências, de ação e reação.

Sua confusão é a típica confusão da criança recém chegada a um mundo onde há regras que você só aprende no acúmulo de erros e experiências e na resiliência da obediência em suas obrigações.

Esses aspectos reativos e aparentemente ilógicos nos contos de fadas já foram muito bem descritos por Chesterton em seu maravilhoso texto “A Ética do País das Fadas” – recomendo que parem de ler esse texto meia-boca que estou escrevendo e leiam este texto – e também que assistam essa animação maravilhosa.

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