Richard Wagner para além da esquerda e da direita

Uma coisa interessante de notar no anel desta história é que, apesar de ser forjado com o ouro mágico do Reno, nunca fica claro qual é, de fato, o seu poder. O mais intrigante é que é possível interpretar que este objeto desejado por deuses e mortais seja apenas um anel, ou seja, que ele não tenha poder algum. O único poder que ele possui é aquele que atribuem a ele.

Essa ideia surgiu enquanto eu lia a parte em que Siegfried mata o dragão Fafnir, que protegia o ouro do Reno, incluindo o anel. Quando Siegfried se apossou do anel, vemos que nada aconteceu com ele, pois ele era inocente, ou seja, ainda não conhecia a sua fama. Para ele, o anel era apenas parte do espólio, tanto que ele o deu a Brunhilde como presente de casamento. Ou seja, ele se desfez do anel com a mesma facilidade com que o ressignificou.

O único objeto forjado pelo Ouro do Reno que possui um poder mágico real é o Tarnhelm, o capacete forjado por Mime que permite alterar a forma de quem o usa.

Considerando o posicionamento político de Wagner, acho interessante pensar no anel como especulação pura e até mesmo como uma proto-tese sobre o fetiche concentrado em um objeto, que seria melhor desenvolvida na ideia de Marx sobre o fetiche da mercadoria. O anel em si não faz absolutamente nada e mesmo assim movimenta toda a história, tornando-se o foco de toda desgraça.

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O podcast é apresentado por Gabriel Vince. Já foi estudante de filosofia, história, programação e jornalismo. Católico, latino e fã de Iron Maiden. Não dá pra ser mais aleatório que isso.

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